segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O GAÚCHO A CAVALO







" O gaúcho vai a cavalo
Sem saber a direção...
Com o chimarrão na mão
E a dor no coração".
Ele partiu há três dias sem dizer qual direção ia seguir. Deu água para o cavalo, colocou o chapéu e saiu. A cuia na mão, as botas inda sujas de barro, foi difícil subir no cavalo. Suas costas largas doíam. Era a quarta vez que o velho gaudério tomava rumo incerto na vida.
...............................................................................................................................................................
A primeira vez aconteceu quando tinha seis anos. O pai trabalhava em outra estância, a mãe saía de casa na segunda-feira para vender os bordados e voltava só no sábado. Ocupado com a construção da casa, que seu pai lhe impusera a ocupação, o menino não tinha tempo para os estudos. Cansado de ver as outras crianças brincar na rua, pegou o cavalo do vizinho e partiu sem dar explicações a ninguém. Por anos, viveu num vilarejo pequeno, na casa de uma velha senhora, quase cega, que o tinha por filho. Um dia, voltou para sua vila. Estava tudo igual, até mesmo a velha casa, ainda prá reformar. Dos pais, ninguém sabia.
.................................................................................................................................................................
A segunda vez que partiu foi um pouco depois de voltar à casa paterna. Já era então moço feito. Sozinho no mundo e preocupado em achar uma prenda bonita, saiu pela vila a gritar com entusiasmo o nome de alguma moçoila interessada em se casar com o humilde rapaz que nem casa tinha para morar. O cavalo era seu único bem, a certeza de que o dinheiro não faltaria nos primeiros meses de casado. Teresinha, Joana, Francisca...Pediu a mão das filhas aos pais, ganhou um não. E assim fez por muito anos. Já se considerava velho prá casar quando conheceu Célia, uma senhora de meia idade , pele sofrida das caminhadas no sol. Era capixaba e mais velha que o gaúcho. Tinha dois filhos pequenos e, em comum com o velho gaudério, a incerteza de um futuro bom.
Por muito tempo viveram numa casa à beira do rio. Ele criou os filhos dela. Fazia um bico de pedreiro aqui, de carpinteiro acolá, leiteiro e até mesmo alfaiate, que garantia um dinheiro para matar a fome no fim do mês. Eram felizes. Tinham um ao outro. Para a surpresa dos velhos, os meninos, depois de crescidos, os abandonaram. Célia caiu doente e foi para junto do Patrão Velho nas querências celestiais. Deixou para o velho gaúcho boas lembranças e os dois filhos...
O velho , então, resolveu ir atrás daqueles que um dia chamou de filhos. Ele já estava acostumado a seguir sozinho, sem rumo. Era a terceira vez que a vida de lhe dava uma missão. Procurou por meses e nada encontrou. Soube pelas más línguas que um deles morrera em uma briga de bar. O outro, viajara para a cidade grande.
Cansado de desgostos, não insistiu. Se aquietou, pensou até em vender o cavalo, velho amigo de andanças...Foi o único que com ele esteve quando mais precisou. Sem plantar sementes e colher frutos, o velho agora se alimentava de pão e cerveja. Não se sentia culpado de viver nessa situação. Conseguiu erguer um barraco atrás de uma venda. Já que tinha tempo, ajudava a dona a cuidar da filha. Infelizmente, um dia, o pai da menina , bêbado, tirou a pequena de seus braços...e a levou para bem longe....
........................................................................................................................................................................
Agora, da quarta vez, saíra novamente...e o novo dono da venda diz ter visto o velho perto da antiga casa na beira do rio, onde viveu com Célia. Mas isso já fazia três dias... Sabe-se lá quanto tempo o velho , acostumado a ser sozinho e a viajar em seu cavalo, vai ficar fora.Dizem que foi atrás da menina que ajudava a cuidar, para devolvê-la à mãe.Ele não se perdoava por aquele ato de covardia...não conteve o pai e a mãe ficou sem a filha...
É, gaúcho, suas costas largas carregam um fardo grande. A ti foi dada a missão de ser sozinho no mundo, ajudar o próximo e nisso encontrar tua felicidade... mesmo que ela esteja , talvez, agora, na vida eterna...
ESTE CONTO FOI ESCRITO POR DÉBORA VIVES DE SOUZA, MINHA FILHA, QUANDO ELA CONTAVA APENAS QUINZE ANOS DE IDADE.
MINHA HOMENAGEM, FILHA, A TI, GAÚCHA, QUE TAMBÉM PEGOU TEU RUMO EM DIREÇÃO A OUTRAS QUERÊNCIAS, PARA FAZER A VIDA. QUE TEU FUTURO SEJA BRILHANTE COMO JORNALISTA. PORQUE UMA PESSOA MARAVILHOSA TU ÉS.
GAÚCHA QUE NÃO TEME OS VENTOS, AS INTEMPÉRIES DA VIDA...UMA ANA TERRA DO SÉCULO XXI.

3 comentários:

Dri Viaro disse...

oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa tarde.
bjsss

aguardo sua visita :)

Dri Viaro disse...

oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa tarde.
bjsss

aguardo sua visita :)

Dri Viaro disse...

oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa tarde.
bjsss

aguardo sua visita :)