
És um implacável escultor
tratando-me como pedra bruta...
Não tens sensibilidade em lapidar
vendo o meu sofrer, o meu pesar,
esculpes em meu corpo a minha dor!
Teu cinzel é como um bisturi,
rasgando a carne de minha frágil alma...
Te rogo, tenha calma!
Não estragues depressa o que a natureza,
com sua amável sutileza,
me presenteou com beleza.
Por dentro e por fora,
esculpes cono carrasco!
Transformas a teu bel prazer
as células em rugas...
Nem minhas lágrimas enxugas,
enquanto burilas sem piedade!
Ah, Tempo, escultor da infelicidade...
Não sentes que sou mulher
e que minha vaidade
necessita de carinho?
Preciso ser tratada como jóia,
nesse árduo caminho,
onde piso ora em pétalas,
ora em espinhos...
E tu, me feres ainda mais!
Stella Vives
07/09/2009
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